Minha caixa de Pandora

“Epimeteu tinha em seu poder uma caixa que outrora lhe haviam dado os deuses, que continha todos os males. Avisou a mulher que não a abrisse. Pandora não resistiu à curiosidade. Abriu-a e os males escaparam. Por mais depressa que providenciasse fechá-la, somente conservou um único bem, a esperança. E dali em diante, foram os homens afligidos por todos os males.” (fonte: Wikipedia)

Eu tento ser uma pessoa boa, sabe? Faço o certo, ou no caso, faço aos outros o que gostaria que fizessem comigo. Não grito, não aponto o dedo na cara dos outros, não discuto coisas inúteis ou brigo para impor meu ponto de vista, faço trabalho voluntário, ajudo várias pessoas, não tenho algum comportamento do qual meus pais se envergonhariam, não furo fila, pago as contas em dia, não possuo o hábito da mentira, reciclo meu lixo, enfim, já deu para perceber que sou, sim, coxinha. Ou nerd. Ou ambos.

Não sou nem nunca fui patriota. Brigava com minha mãe por isto, ela patriota de sangue quase verde e amarelo. Só que ultimamente até ela tem me dado razão. Olha, eu acredito que os bons são em maior número, mas os maus fazem mais barulho e chamam mais a atenção. Na verdade, tempo verbal errado. Aliás, tudo errado. Não sei se acredito mais; as pauladas diárias tem o poder de quebrar o mais forte dos espíritos, imaginem o meu então…

Acho que tudo de ruim no mundo sempre existiu, só que antes a gente não sabia de tanta coisa. Dizem que a ignorância é uma benção, e me pergunto se não é verdade. Porque do que adianta saber e não poder fazer nada? Do que adianta saber e ter as mãos atadas? “É o sistema” não me convence, se bem que pão e circo antigamente era falado em francês. Adiantam estas marchas disto ou daquilo, corrente na internet, panelaço, sinal de fumaça, me amarrar em uma árvore, fazer estardalhaço? Não creio, pelo menos em terras brasilis não. Não sei se somos pacatos por natureza, ou se cansamos de lutar lá no comecinho, onde nos vendemos por espelhos e colares em troca de ouro e nossas riquezas.

Estou cansada. De tudo. Não de todos, mas de vários. Dos mesmos. De tentar, fazer minha parte, e a inércia atuar forte na minha cara, rindo com todos os dentes. Da sensação de que nada muda, na verdade tudo piora. Acho que é muita informação. Ou descrença. Ou desilusão. Talvez vergonha alheia? Este gosto amargo que tenho na boca vem de onde?

Pandora abriu a caixa por ser curiosa e todos os males do mundo foram soltos. Lá só ficou a esperança. Tenho muito medo de descobrir que, abrindo minha caixa, ela estará… vazia.

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2 Comentários on “Minha caixa de Pandora”

  1. Francine disse:

    Nossa Ka , vc conseguiu traduzir tudo, tudo o que tenho me questionado ultimamente. Será que no final ainda sobra esperaça?? Tb tô cansada …
    Parabéns pelo blog !
    Bjs com saudades

    • Karina Karina disse:

      Fran:

      eu nao sei! acontecem coisas que me fazem questionar tudo, absolutamente tudo! E isto cansa! E tudo cansa! E de vez em quando eu me pego tendo crise de desesperança… Tenho pavor disto, porque penso assim: se a gente perder a esperança, sobra o que?

      beijos linda, e volte sempre! Muito feliz por saber que você leu…


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