Quando uma árvore nos mostra o caminho…

Ela andava apressada, mais por costume do que por necessidade. A chuva que dava pinta por ali também ajudava. Ela não tinha medo de chuva, mas já perdera vários sapatos por conta da dita cuja, melhor prevenir então… Faltando duas quadras para chegar em casa, o mundo desabou. Não aquela chuvinha que só serve para desarrumar os cabelos; esta era casca grossa. Os pingos doiam. Chuva de verão em outubro, vai saber, São Pedro poderia estar com o calendário alterado. Ela sabia que a chuva seria breve, alguns minutinhos. Então parou embaixo da árvore em frente ao restaurante. E ficou esperando, mais preocupada com os papéis que carregava nas mãos mas agora escondia dentro da blusa. E esperou. E respirou fundo várias vezes para sentir o cheiro de chuva. E pisou com a ponta do pé nas pocinhas de água que se formavam. E ali ficou por alguns momentos, agradecendo por não haver raios – melhor não brincar com a sorte, pensava ela. Vai que, né? Vai que…

Quando a chuva deu uma trégua antes do segundo round, ela se sacudiu toda, apertou os papéis contra o peito e saiu correndo. Daria tempo de chegar em casa até a chuva recomeçar, pensou. E foi, meio criança pulando as poças, rindo alto. Depois de uns 10 passos 2 dois pulos, ela ouviu o barulho. Indefinível. Um barulho lento, oco, pesado. Parou e olhou para trás. A árvore que fora seu abrigo, sua casa, seu divertimento, há alguns segundos atrás, estava agora no chão, com as raízes expostas, tombada exatamente no local onde ela buscara refúgio. Sem qualquer aviso prévio, a árvore só esperou ela sair para cair. Lenta, dolorida, se despedindo do mundo. Cumprira sua tarefa, fora casa, fora sombra, morada de pássaros. A menina parou, de boca aberta, assustada e agradecida. Há 2 segundos atrás, talvez menos, ela estaria embaixo da árvore. Toda a sua preocupação em não molhar os papéis, tudo o que poderia fazer, tudo estaria ali, enterrado embaixo de um tronco grosso e raízes profundas. Chocada, ela sorriu. E agradeceu. Primeiro à árvore, e depois ao seu Anjo da Guarda. E foi para casa rezando para a chuva chegar logo e lavar a alma daquela que ficou. E, baixinho, só conseguiu balbuciar, “obrigada”.

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Steve Jobs se foi. O que levo dele, além do meu iPod, iPhone e iPad? O discurso sensacional que ele fez e que roda a internet. Ele tinha uma previsão de sua morte – àquela época sua luta contra o câncer já começara, então tentava aplicar a máxima “viver como se não houvesse amanhã”.

A grande maioria das pessoas não tem esta previsão. E se esquece disto, até que ela chega. E se arrepende, muitas vezes do que não fez, não falou, não tentou. Infelizmente, pode ser tarde demais. Muito, muito triste isto…

Busco me melhorar sempre. Busco várias coisas, quero várias coisas. Mas, em agosto, quando fiz aniversário, me prometi a mesma coisa que faço há alguns anos: não me agredirei fazendo o que não quero, convivendo com quem não me interessa, me preocupando com o julgamento alheio. E ontem, quando vi a árvore cair na minha frente e ouvi o grito da menina que estava embaixo dela alguns segundos antes, só pude pensar nisto -> tendo ou não outras vidas, não posso me esquecer jamais que “a gente nasceu para ser feliz”… EU nasci para ser feliz… e você também.

PS – para quem se interessar, aqui está o texto do discurso do Steve Jobs. Merece ser impresso e colado na parede. Ou tatuado na alma…

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