Limites

 

 

(Este texto é antigo, e não mudei uma vírgula… mas até parece que foi escrito hoje…)

“É de cair o cu da bunda”, “quero dar a bu46ta”, “vendo minha virgindade”, “acabei de dar um barro”, entre outros. Estas e outras pérolas foram achadas no twitter há alguns minutos atrás. Quem as escreveu pouco importa, o que importa é que eram pessoas que eu não seguia (se você não possui twitter saiba que você escolhe “seguir” algumas pessoas, e tudo o que elas postam aparece para você. É mais que isto, mas o básico poderia ser assim resumido).

De posse deste conteúdo que modificou minha vida para pior,  me pego pensando nos limites que faltam ao ser humano em geral. Porque a pessoa tem todo o direito do mundo de postar o que quer, sabendo que quem fala o que quer, ouve TUDO. Qual limite então? Aí é que está: o que é limite para mim pode não ser para você. Explico:

Algum engraçadinho disse que entendia os moradores de Higienópolis (bairro de, em sua grande parte, judeus) não quererem o metrô na região, porque “a última vezes que eles entraram em um foram parar em Auschwitz.” Ou um outro que postou em pleno dia das Mães algo como “E ai órfãos, péssimo dia hoje hein?”. Uso estes dois exemplos para delimitar PARA MIM o que eu considero o limite do bom senso. Ambas as frases são ridículas, para não dizer o mínimo. Não sou judia, mas me ofendi com o comentário (que aparentemente era para ser engraçado). Quanto ao outro que falou sobre o dia das Mães, me pergunto o que ele fará se um dia começarem a achincalhar sua família, seus filhos, seus credos. Por que quem fala isto abre a guarda para ouvir tudo, principalmente merda da mesma categoria.

Não fico discutindo estas coisas. Estas são, para mim, as verdadeiras “pessoas diferenciadas”. Paro de ler estes textos, não vejo os programas onde eles aparecem, não compro os produtos a eles vinculados. Miro onde eles sentem: no bolso. Mas uso isto como forma de pensar na exposição exagerada que todos tem hoje em dia, uma coisa meio Woodstock ano 2011 sem lenço nem documento.

Não creio que as pessoas tenham real noção do que fazem ao publicarem coisas deste naipe. Sim, as duas antes que escreveram aquilo ai em cima são “personalidades da mídia” e precisavam aparecer de alguma forma. Ok, entendo, não sou uma jegue intelectual. Mas me pergunto onde eles irão parar. Cadê os limites deste povo? Tenho medo de um dia descobrir…

Uns dois “funcionários” do Pânico entraram no funeral da Amy Winehouse, e parece que já fizeram isto em outros enterros de famosos. Sugiro levar um trio elétrico no enterro dos familiares dos mesmos. Enterro é coisa séria, e há que se ter um limite. Respeito é algo que se perde e não se volta atrás, não ao menos sem trincos profundos. Salman Rushdie até hoje é perseguido por ter usado versos do Alcorão no seu livro Versos Satânicos (que eu li e  digo: não tem nada demais), o que feriu a honra e desrespeitou o credo de vários. Não se deve expor ou brincar com sentimentos alheios. O mundo parece a ponto de explodir; melhor não dar munição a esmo para os louquinhos de plantão e pavio curto.

Qual o limite então? O meu é o seguinte: não faça comigo o que você não gostaria que eu fizesse com você. Ache o seu e faça-o valer. Então, no meu caso, te digo: não brinque comigo com assuntos que acho sem graça e desrespeitosos. Eu não aceito isto, e aviso de antemão. Não tenho humor? Te juro que tenho! Sou mal-comida? Como me ensinou a Stella Florence: claro que sou! Se fosse bem-comida não estava aqui digitando, estava transando loucamente com meu bofe.

Para não nos matarmos e termos uma convivência possível, limites tem que ser traçados. Anarquia nunca deu certo, e só é “graças a Deus” no livro da Zélia Gattai. Há que se ter um respeito maior pelo que se fala/escreve, e uma responsabilidade ainda  maior pelas consequências destas frases. OU senão o que já tá meio complicado vai virar Terra de Ninguém.

Ah sim: limite para mim não tem nada a ver com censura. Coisas absolutamente distintas na minha cabeça. Só que para explicar precisaria de mais umas 500.000 palavras, então fica para a próxima.

 

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