Cego, surdo e mudo

– Ele vai se casar. Já está até com cafofo arrumado, logo chega o convite em casa.

– Ele quem?

– Meu ex. Cachorro, ele vai se casar! Mal terminamos e ele já arrumou esta outra ai…

– Nossa, que coisa.  Homem é tudo igual!

– Sim, mal terminamos e ele já andava para cima e para baixo com essazinha… Agora vai se casar com ela… O pior é que minha família o ama até hoje. Não sei se vou no casamento.

– Poxa, ferida recente é duro mesmo. Não sei se passa, mas sei que atenua. Quer dizer, para alguns né… bom, eu sinto muito! Faz pouco tempo que vocês se separaram? Você vai no casamento?

– Acho que vou. Mais para ter a certeza de que acabou mesmo. Vê-lo lá em cima fará com que eu saiba que tudo acabou!

– Ué, mas você precisa ver ele se casando? Não basta vê-lo com a outra? É que faz pouco tempo. Entendo… Aliás, há quanto tempo mesmo vocês se separaram?

– Quatro anos!

– Quatro ANOS?

– Sim, quatro anos. E mal nos separamos e ele já se juntou com essa ai. E tá com ela até hoje! Mas eu preciso ir no casamento para enterrar isto de vez!

– Poxa amiga, sinto muito!

– Nada. Vai ser bom para mim. O negócio é que meu namorado tem ciúme do ex e talvez não entenda.

– Peraí. Mas você tem namorado?

– Sim. E eu lá ia ficar solteira com ele enrabixado de cara com esta lambisgóia? Não não, arrumei um namorado logo que soube dele com essazinha aí.

– Hummm.

– MAS VOCÊ ACREDITA QUE ELE VAI SE CASAR COM ESSA MOCRÉIA?

(E ela foi ao casamento. Encontrei a amiga na fila do supermercado um tempo depois)

– Eu fui no casamento. Posso estar errada, mas ele olhou para mim várias vezes no decorrer da festa!

– Olhou? Será que não assustou de você estar lá?

– Não. Senti que havia química. Senti que ainda não fechamos nosso ciclo. Acho que mais dia menos dia ele vai me procurar.

– Ok. Seu namorado foi com você?

– Foi né. É namorado. Mas fomos (eu e o noivo) discretos, ele não percebeu nada. É coisa antiga né amiga, sabe como é né?

Não respondi nada. Só pensei: não, não sei.

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Muitas vezes – a maioria das vezes, na minha opinião – somos jogados aos leões. As situações aparecem na nossa frente e cada um lida como pode. Outras vezes não, acontecem coisas pelas quais buscamos e lutamos. Escolhemos como lidar com a situação. Escolhemos como queremos enxergar o que ocorre. Ou escolhemos até nos fazer de cego, surdo e mudo.

Tem gente que precisa ver para crer (São Tomé ou São Tomás? Nunca me lembro). Ok, respeito e muito estas pessoas, já que várias vezes vesti a carapuça. Mas tem gente que nem vendo acredita. E faz como com estes ai?

Termino dizendo o seguinte: não sei se o correto é seguir o coração ou a razão. Só considero absolutamente errado seguir uma névoa, uma estória criada na nossa cabeça. Analise FATOS, baseie-se em coisas reais, e não em “achismos” ou coisas voláteis. Porque imaginação é uma coisa perigosa, ainda mais se a usamos contra nós. E as coisas são como são, não como queremos que sejam. (In)felizmente.

 

 

 

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