SORVETE

Ontem soube que um menino de 5 anos que luta contra um câncer no cérebro se recupera bem, e pede sempre para tomar sorvete com um sorriso nos lábios. Só isto. Não conheço o menino, conheço a avó dele que acabou ficando “minha amiga” e me conta os bastidores.

Esta senhora viaja uns 200km toda terça-feira para fazer um tratamento espiritual. Indicaram a ela o centro onde trabalho e um dia ela apareceu lá. Quem a recebeu fui eu! Pessoa certa na hora errada? Tenho a menor idéia, mas eu que estava ali… Com vergonha por ser de outra religião ela preencheu a ficha e ficou quietinha. Passou pelo tratamento, começou a melhorar a cor (e não é da pele que estou falando), enfim, tudo seguia. Um dia começamos a conversar, do nada e entre os trabalhos. Soube da estória de seu neto, que tinha sido diagnosticado com um câncer no cérebro aos 3 anos. E hoje, aos 5, lutava contra tudo e todos e um tumor do tamanho de um limão. No cérebro. Reincidente.

E ela tinha ido lá em busca de tratamento espiritual. Para ele. Mas era escondido, por que eles são de outra religião. Só que quando a gente está no inferno a gente reza para todos os credos, ajoelhados no milho com quipá na cabeça. Bom, eu rezo.

Neste dia, vai saber o porquê, olhei para ela e disse: dona Maria, a senhora vem aqui para SE tratar, não para tratá-lo. Ele já está bem encaminhado (eu sabia disto! Digamos que… sou bruxa, só que sem verruga peluda no nariz). Como a senhora quer ajudá-lo se a senhora não está bem? Saco vazio não para em pé!

Ela fico meio assustada, disse que fazia tudo por ele. Novamente, sei lá o motivo, disse que não, que ela ia lá por ela. Para ela. E que ele estava bem cuidado. Ela sorriu.

Ela sumiu por um mês. Os trabalhos às terças continuaram, novas pessoas, velhos problemas, velhas pessoas, velhos problemas. Até ontem, dia 05’julho’2011. Ontem, quando já estava fechando tudo, vejo uma senhorinha toda serelepe com uma boina roxa (adoro roxo) sorrindo e vindo em minha direção. Na hora sorri, me levantei e fui abraçá-la. O abraço foi apertado… Tipo abraço de vó, sabe?

Soube então que ele fora para outro país em busca de tratamento e ela foi junto. Ela disse que ele era “fortinho como eu” (na hora sorri, juro) e que, apesar de não comer há dois dias e vomitar muito, ele queria tomar sorvete! E se recuperava, dia a dia… Não, o tempo lá passa  mais devagar: a coisa é minuto a minuto.

Este é apenas um caso de uma criança lutando pela vida, com sua família reunida e unida à tiracolo. Respeito absurdamente estas pessoas, já vi corredor de hospital para tratamento de câncer. E todas as vezes que penso em ter depressão me lembro deles. Seria desrespeito da minha parte me fazer isto. Devo a eles a lição de lutar. Por tudo! Por eles! Pela vida.

Só queria dizer que nunca fiquei tão feliz por escrever sobre um tema como… sorvete!

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3 Comentários on “SORVETE”

  1. arturtavares disse:

    Adorei o post! Principalmente por saber de sua atuação espiritual! (Mas confesso que, pelo fato de você enxergar cores, terei vergonha de conversar com você com medo de minha cor estar ruim! hahaha eu e meus medos! =) )

    Todos têm um propósito nessa vida…pra mim, pessoas que sofrem destes problemas têm o propósito de mostra o quão bela é a nossa vida e ensinar sobre superação, como esse cara aqui:

    =)

    Muita luz!

  2. Analice disse:

    Me deu muita saudade do CRE agora….
    ” E todas as vezes que penso em ter depressão me lembro deles. Seria desrespeito da minha parte me fazer isto. Devo a eles a lição de lutar. Por tudo! Por eles! Pela vida…”


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