Alguma coisa está errada…

Alguma coisa está errada. Ok, concordo com você, muitas coisas estão erradas. Mas como o espaço é limitado e o tempo urge, vou me ater a um fenômeno que tem chamado minha atenção há um tempinho já mas que acho que o limite (qualquer limite, me ajude a traçar um aqui) foi ultrapassado. E alguém tem que falar alguma coisa, mesmo que este alguém seja eu, aqui e agora, e que NADA mude. Pelo menos vejo se não estou sozinha no mundo com meus “achismos” e tiro isto do meu peito (mente, no caso <— detesto quem fica dizendo “no caso”… aproveitei o espaço e já coloquei aqui!).

Eu compro revista todos os meses da banca para ajudar o moço que trabalha na esquina. Poderia assinar, como já assinei, mas não sei, compro dele. E revistas de assuntos bem variados e ecléticos. Compro a Vogue e a RG, compro a TPM (e leio na net tooooda quarta o texto da Clarissa Correa no site), compro também revista pelos brindes que elas trazem (penso se sou a única a fazer isto, mas olha, creio que não viu…), compro outras. Revistas “sérias” também, não sou tão alienada da vida assim. E cada vez que abro estas revistas – e aposto que outras de diferentes gêneros – me espanto, cada vez mais, com os preços praticados. Não sei, algo está errado…

E de errado não digo os preços, sabe? Por que para mim a lei da Demanda é muito forte, ou seja, se tem produtos com preços irreais tem quem paga. A minha idéia de errado é mais básica, no sentido que, no meu ponto de vista, perdemos a noção do valor das coisas. Não sabemos mais o real valor das coisas, então cada um paga o que pode e quer, e quem vende cobra na mesma proporção.

Não sou tão desinformada a ponto de não saber que no Brasil as cargas tributárias dos produtos fazem com que seus preços finais sejam quase o dobro do que poderiam ser. Não bem, eu SEI disto. E sei também que o estilista tem tooodo um processo de criação por trás, que várias pessoas são empregadas, vários nichos do mercado são envolvidos direta e indiretamente. Ok, eu tenho isto em mente. Sei que o custo de vida é caro em cidades como São Paulo, sei que brasileiros – ao menos os da minha idade – conviveram com a inflação, então não compensava muito guardar dinheiro. Adoramos (já disse que detesto generalidades, mas não tive como fugir a isto) parcelar as compras e carnês… Bom, pergunta pro Silvio Santos o que ele acha de carnê… acho que ele não iria nem responder, só iria dar uma super gargalhada.

Conheço um estrangeiro que veio a São Paulo e, ao andar em um shopping de classe alta, riu muito ao saber que o que estava na vitrine eram os preços, e não os códigos dos produtos. Ele riu e disse: “Paaara com isto!” E perguntou: “quem seria estúpido o suficiente para pagar este preço que está claramente “overpriced”?” Fui ver do que ele falava, e aqui misturo com coisas que li em revistas: uma caneta (leia de novo o produto = CANETA) custando quase $5.000. Um biquini custando quase $500. Sapatos custando mais de $2000. Vestidos de grifes estrangeiras custando $1500, e vestidos de estilistas nacionais saindo por quase 2, 3 vezes este preço. Produtos sem ter o preço exposto na revista, com a tag “preço sob consulta”. Juro que fico entre a excitação de checar o preço e ter um infarto fulminante na hora ao descobrir… OU pior, uma crise de riso…

Consumir é bom. Comprar é gostoso. Adquirir qualquer produto que seja é legal, te dá uma sensação de prazer (isto tudo em mim, ta? Não sei como é com o mundo). Mas eu vejo coisas e não consigo ficar imune a este gosto amargo que me vem na boca. Eu não ganho mal, e se quiser comprar algo absurdo em um rompante consumista até conseguiria. Mas não sei, sofro com a idéia. Me sinto um pouco como sendo roubada.

 

 

 

 

 

 

 

Será que sou só eu que penso nestas coisas? Ou será tudo coisa da minha cabeça?

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